Panel |
Thursday 07/12 | 16:30 - 18:30 | Ciencias Sociales | H2 |
DESAFIOS NO CAMPO DA INTERDISCIPLINARIDADE
Quais são as condições necessárias para a fertilidade interdisciplinar? (#9317)
Elimar Pinheiro do Nascimento 1; Alfredo Pena-Vega
2; Renee Albornoz
3; Vanessa Maria Castro
1; Luiz Flores-Gonzalez
41 - Universidade de Brasília. 2 - École des hautes études en sciences sociales. 3 - Centro Latino Americano de Economica Humana. 4 - Pontificia Universidad Católica.
Abstract:
JUSTIFICATIVA A criação de novos conhecimentos e seus desdobramentos tecnológicos e mercadológicos fazia-se, no final do século XIX, a partir de iniciativas individuais, po artistas e engenheiros. Como exemplos temos o telefone (Antonio Meucci), tv, código morse (Samuel Morse), lâmpada elétrica (Thomas Edison, cinematógrafo (irmãos Lumière, automóvel (Karl Benz), trem a vapor (George Stepheson), e máquina leitura de cartões perfurados um dos pais do computador moderno (Herman Holerith), entre outros. No início do século XX Universidades e Institutos de Pesquisa passaram a ocupar o lugar de maior destaque, particularmente com a segunda guerra mundial. Ainda no final do século XX, a liderança foi ocupada por redes internacionais de pesquisa, articulando universidades e institutos de pesquisa de um lado, empresas, de outro, com fomento de agências governamentais. Até meados do século passado as inovações ocorriam sempre a partir de conhecimentos gerados por disciplinas específicas como a física, a biologia, a química etc. A partir deste período começou uma mudança que apenas se ampliou desde então: os novos conhecimentos começaram a surgir também do diálogo de disciplinas. O diálogo entre a biologia e a tecnologia da informação permitiu o surgimento da biotecnologia é um exemplo dos anos 1970/80, e seu “casamento” posterior com a nanotecnologia e a medicina tem provocado mudanças substantivas no campo da saúde; como o mesmo ocorre no campo das engenharias com o desenvolvimento das tecnologias de informação e a nanotecnologia Outro exemplo interessante ocorre no diálogo entre psicologia comportamental e a biologia que resultará na ciência cognitiva ou a ecologia que vai se transformar na ciência da interdisciplinaridade. Neste contexto, a interdisciplinaridade ganhou prestígio e ampliou-se nas universidades, e não apenas no campo da pesquisa, mas também no campo da formação universitária. No Brasil os cursos e programas de Pós-Graduação no campo interdisciplinar têm crescido de forma exponencial desde os anos 2000 (PHILIPPI JUNIOR, 2011; PEREIRA e NASCIMENTO, 2016). Cursos de graduação interdisciplinares também têm surgido em diversas universidades. Dessa forma, a interdisciplinaridade ganhou status nas áreas de fomento e no âmbito das universidades e institutos de pesquisa, apesar das resistências ainda persistentes. Entre os quais destacam-se os cursos socioambientais, hoje mais de três dezenas. Contudo, seu impacto ainda parece ser menor do que o esperado nos anos 1990, e as resistências maiores. Mesmo nas disciplinas de ciências humanas que normalmente têm práticas próprias do que se denomina de “práticas” interdisciplinaridade “mole”, como por exemplo a sociologia – que “conversa” constantemente com outras disciplinas como psicologia, história, economia, direito, geografia etc. As dificuldades maiores para a sociologia são aquelas provenientes da “conversa” com outras disciplinas que não pertencem a área de humana, apesar dos trabalhos de Edward Wilson, no campo da sociobiologia. O culturalismo de conceber a sociedade, e com ela a economia, independente do meio biótico e abiótico que a circunda ainda persiste como herança do século XIX. A regra de ouro de que o social só pode ser explicado pelo social torna-se, a cada dia, envelhecida e sem fundamento. De toda maneira, com o desfazer da sociedade industrial e o crescimento da sociedade do conhecimento a interdisciplinaridade - e mesmo a transdisciplinaridade – tendem, a priori, a crescer e ganhar mais relevância nas esferas da sociedade humana, com destaque no campo do conhecimento científico. Movimento do qual a sociologia não pode se abster. Porém, deve-se admitir antes de tudo que os sistemas de ensino e pesquisa então solidamente apoiados sobre sistemas disciplinares que supõem uma logica classificatoria e hierarquica, sob uma divisão disciplinar (A. Pena-Vega, 2011). O dilema é: quais são as condições necessárias para a fertilizar a interdisciplinaridade? OBJETIVO O objetivo do painel ou mesa redonda é o de apresentar ao Congresso uma reflexão que vem sendo desenvolvida há mais de duas décadas por pesquisadores latino-americanos, inspirados na obra de Edgar Morin e nas reflexões de nossas próprias pesquisas sobre as mudanças societais que o mundo tem conhecido, sobretudo nos últimos 50 anos, com o ressurgimento da globalização, da nova revolução tecnológica e da vitória – temporária - do liberalismo no campo politico. No período, portanto, em que nasce torna-se mais visível o pós-colonialismo e a sociedade hipermoderna, marcada pela alta conectividade, risco generalizado e surgimento de novos atores e conflitos. A natureza da reflexão sobre a interdisciplinaridade é ela mesma interdisciplinar na medida em que reúne sociólogos, antropologos, psicólogos, cientista socioambiental e filósofos, e tem incidido sobre diversos campos, entre eles, a reforma universitária. O conhecimento da interdisciplinaridade, dessa maneira, torna-se cada vez mais importante para os sociólogos e cientistas sociais em geral. E o painel é uma oportunidade de reflexão e conhecimento dos novos desafios que a interdisciplinaridade tem enfrentando nas últimas duas décadas.