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Friday 08/12 - Ciencias Sociales / Sala F2
08:00 - 10:00 Presentación de PONENCIAS
 
17. Trabajo y Restructuración Productiva |
Friday 08/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
Indústria e Trabalho na Zona Franca de Manaus (#1532)
Izabel Valle 1
1 - UFAM.
Abstract:
A década de 1960 constitui um marco histórico no processo de desenvolvimento de Manaus. Situada no norte do Brasil, a cidade abrigou produtores de marcas mundiais que se deslocaram para o interior da floresta amazônica atraídos pelos fortes incentivos fiscais e mão de obra barata e abundante – vantagens oferecidas pelo governo militar para o capital internacional interessado em se instalar na Zona Franca de Manaus. Sede de uma das primeiras zonas francas do mundo (HOBSBAWN,1995), Manaus tornou-se, em curto espaço de tempo, uma cidade industrial, lugar para a produção/montagem de produtos eletroeletrônicos, relógios digitais, motocicletas, entre outros, para empresas americanas, holandesas, japonesas, coreanas, europeias que fizeram da capital do estado do Amazonas a sua plataforma de exportação para todo o território nacional. Mais recentemente, a chegada das fábricas chinesas em Manaus evidencia a forte presença do capital asiático naqueles setores líderes em investimentos, faturamento e número de empregos: eletroeletrônico e duas rodas.             Criada sob o argumento de promover o desenvolvimento do Estado do Amazonas e a “integração nacional”, a ZFM implantada em 1967, desencadeou mudanças profundas naquela área da Amazônia ocidental. Este modelo de desenvolvimento identificado por Mahar (1978) como “enclave de importação” alterou de forma substantiva a estrutura produtiva ao alçar a indústria situada no Pólo Industrial de Manaus (PIM) à condição de principal vetor de desenvolvimento e modernização. De fato, até os anos 1960, predominavam as atividades ligadas à agricultura, pecuária, silvicultura e atividades extrativas. A partir dos anos 1970, com a instalação das plantas industriais, tem início o processo de produção de bens de consumo duráveis substitutivo de importações. Em um período de quinze anos (1967-1982), 208 empresas industriais tiveram projetos aprovados e implantados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (VALLE, 2007).  Em 2000, foram 307 e, em 2010, 431 (SUFRAMA, 2013). Ao lado da indústria nascia o operariado fabril amazonense cujo crescimento foi capturado pelos diversos Censos Demográficos do IBGE e pela SUFRAMA. Assim, em 1960, eram 10.874 trabalhadores empregados na indústria; em 1970, 29.679; em 1980, 69.777; em 1990, 76.798; em 2000, 50.005; em 2010, 103.662 trabalhadores industriais (MELLO, 1983; SERÁFICO, 2011). Os primeiros trabalhadores, oriundos da área rural, tiveram sua trajetória marcada pelas experiências como seringueiro, pescador, coletor/extrator. As gerações seguintes desenvolveram-se sob a disciplina fabril. Em comum, a linha de montagem, a baixa qualificação e os baixos salários. Em quase cinquenta anos de existência da Zona Franca de Manaus, qual a composicaodo capital atual das indústrias instaladas no seu Pólo Industrial ? Como estruturam suas atividades produtivas? Qual o perfil do trabalhador das plantas industriais ali instaladas? Quais as transformações mais significativas? Identificar e problematizas essas questões é a proposta do presente artigo. Para efeito de análise serão consultados a literatura especializada e os dados disponibilizados pela SUFRAMA.  Palavras-chave: producao offshore, desenvolvimento, zona franca  

 
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PROCESOS DE SUBCONTRATACIÓN Y CONFLICTO LABORAL EN LA INDUSTRIA DE BEBESTIBLES EN CHILE: EL CASO DE LA COCA COLA Y LA CCU (#6191)
Jorge Ayala 1
1 - Magister de Ciencias Sociales mención de sociología de la Modernización de la Universidad de Chile.
Abstract:
El modelo económico Chileno, se ha implantado por medio de la instauración de las nuevas dinámicas de acumulación capitalista en la era neoliberal, las cuales se sostendrían modificando el régimen de explotación laboral y no únicamente por medio de la apertura de la economía nacional, con la modificación de su estructura productiva-financiera. Las características que asume el “trabajo” en la era neoliberal, son diferentes a las del periodo desarrollista, ya que los nuevos tipos de políticas laborales apostarían a la fragmentación laboral y la subcontratación sería su demostración más concreta. La legislación laboral implantada en la dictadura militar y reconfigurada con la transición democratica prolongada, posibilito instalar este nuevo tipo de régimen laboral, modificando las jornadas ordinaria de trabajo y las dinámicas que estructuran el proceso del trabajo, concretándose esto por medio de diversos mecanismos de flexibilización laboral, siendo la subcontratación y/o tercerización uno de lso pilares que lo sostiene. Las relaciones laborales entre los tres agentes participes de una relación de subcontratación (la empresa de planta, la empresa prestadora de servicios y los trabajadores contratados por esta ultima), se sostiene por medio de una relación formal y contractual entre la empresa suministradora y la usuaria, pero también por medio de una relación laboral real y concreta que se daría exclusivamente entre la empresa usuaria y el trabajador subcontratado. Esta ponencia pretende constatar esta serie de hechos, analizando tales procesos con el caso de los trabajadores del transporte de la industria de bebestibles de la Coca Cola y la CCU en Santiago de Chile, en donde las dinámicas de conflicto sindical en ambas industrias se han dado de forma diferenciada, ya que la estructuración de las relaciones de subcontratación en ambas empresas, generan que las estrategias de acción asumidas por los actores sindicales se enmarquen dentro de un tipo de relación laboral compleja y diversa. Está investigación está sujeta al paradigma comprensivo, por ende adhiere a la metodología cualitativa como principal patrón metódico para la indagación de la realidad social que se quiere investigar, producto de que busca comprender el sentido de las acciones de los sujetos estudiados y realizar una exploración de este territorio de relaciones sociales y laborales. Las técnicas de extracción de información utilizadas se seleccionaron según los objetivos de la investigación y por la naturaleza del objeto de estudio. Es por ello que la base de datos que se tienen para el análisis es de tipo primario y secundario. En el caso de los datos primarios construidos, la herramienta que se utilizó fue la entrevista semi-estructurada individual y grupal, y en el caso de la base de datos secundarios, se utilizaron documentos institucionales de los sindicatos, las empresas y el Estado.

 
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Trabalhadores em frigoríficos e mudanças nas condições de trabalho. Oeste do Paraná, Décadas de 1980 a 2010 (#7645)
Rinaldo José Varussa 1
1 - Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE).
Abstract:
Entre as décadas de 1970 e 2010, a produção frigorífica de aves no Brasil experimentou um crescimento vertiginoso, alçando o país ao posto de terceiro maior produtor e primeiro exportador mundial daquele produto. Tal incremento produtivo articula-se a algumas condições constituídas no período, tais como o crescimento expressivo da demanda de consumo interna (passando de 2,3 kg para 43,7 kg per capita ano), aumento das exportações (aproximadamente 50% da produção nacional, superior a 13 mil toneladas, é exportada), redução do custo do produto ao consumidor (redução de cerca 322 % no preço do quilo em relação ao salário mínimo) e redução do tempo de engorda das aves (de 65 dias para 42 dias para os frangos). A este conjunto é dada uma visibilidade amplamente favorável pelo empresariado ligado a este setor da agroindústria, que divulga a qualidade do produto, comprovada ainda por diversos certificados internacionais, os quais convalidam o acesso aos mercados internacionais. Uma contraposição a essa celebração do agronegócio dá-se entre os trabalhadores. De imediato, chama a atenção os índices do que o empresariado denomina de rotatividade, em media, superior a 60 % e, em diversas plantas, superior a 100%. Estes índices aprofundam a contraposição quando se verifica que a maior parte (56 %, em média) dos desligamentos decorre dos pedidos dos trabalhadores e não por iniciativa da empresa. A vista disso, é possível redimensionar a rotatividade como uma rejeição a estas colocações por parte dos trabalhadores, o que se reforça quando observado que, no caso do Oeste do Paraná, a empresas mantém um índice médio de 15% de vagas em aberto. Esta comunicação busca apresentar e discutir o processo que fundamentou tal situação. Com base em entrevistas orais de trabalhadores que se vincularam ao setor frigorífico nos últimos 40 anos, em material jornalístico regional, documentos das organizações empresariais do setor, bem como no diálogo com a bibliografia, foi possível interpretar que o crescimento da produção deu-se conjuntamente a uma “troca de sinais” por parte dos trabalhadores no que se refere à valorização do trabalho: de uma ocupação apreciada e avaliada positivamente, observa-se, a partir da década de meados da década 1990 uma crescente depreciação. Esta depreciação decorre da experiência de intensificação das operações produtivas no uso da mão de obra, sem significativas mudanças no que se refere à tecnologia no maquinário no interior das fábricas. Tal intensificação, ligada principalmente a multiplicação dos cortes de carne oferecidos ao mercado (de 6 passaram a 18 partes ou tipos comercializados), produziu entre os trabalhadores a disseminação de adoecimentos, conceituados por especialistas da medicina do trabalho como epidêmicos. A vista deste processo, a conclusão que nos parece pertinente, sob o ponto de vista do trabalhador, seria classificar este processo como de “desestruturação improdutiva”.

 
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A REORGANIZAÇÃO DO TRABALHO EM RIO GRANDE-RS A PARTIR DA IMPLEMENTAÇÃO DA INDÚSTRIA NAVAL   (#7751)
Rogério Faé 1; Diego Rosa 2;
Guilherme Dornelas Camara 1
1 - UFRGS. 2 - FURG e UFRGS.
Abstract:
O estudo a ser apresentado buscou entender as consequências da implementação da indústria naval para a organização do trabalho na cidade de Rio Grande. Para tal, propôs-se o conceito de organização do trabalho como o resultado de uma relação de forças antagônicas que, dinamizada por mecanismos de produção, organizam formas contraditórias de produzir a vida. Essa categoria, proposta a partir de uma reflexão teórica embasada em Marx, Lukács, Marini e Braverman, permite entendendo o trabalho como categoria fundante do ser e da práxis social, de modo que organizá-lo extrapola a mera distribuição das atividades nos locais onde se dá a produção econômica. A partir da análise das entrevistas realizadas, na cidade do Rio Grande, com diversos atores (representantes do poder governamental, trabalhadores, sindicalistas e líderes comunitários, entre outros) constatou-se que a organização do trabalho no polo naval de Rio Grande extrapolou-se para as diversas dimensões da vida dos trabalhadores, suas famílias e comunidade local. O investimento na indústria naval, nos últimos anos, provocou a migração de milhares de trabalhadores que vislumbraram no polo naval de Rio Grande possibilidades de obter trabalho ou melhorar a renda. Por consequência, a cidade viu sua população aumentar muito rapidamente sem que, entretanto, fossem oferecidas condições estruturais adequadas. De início, houve um processo de ascensão econômica e de reestruturação da cidade e das formas de vida da população em geral que pôde ser visualizado, entre outros, no investimento em aumento do número de quartos em hotéis, aumento dos preços dos aluguéis na cidade e da migração de parte da população local das regiões centrais da cidade para áreas periféricas pela impossibilidade de manter o pagamento dos aluguéis nos novos patamares. Agora, Rio Grande enfrenta o declínio da indústria naval provocado pelas denúncias e investigações da Operação Lava Jato, pela desvalorização das commodities no mercado internacional e, mais recentemente, com a possibilidade de flexibilização das regras da política de conteúdo local que ameaçam inclusive a manutenção dos estaleiros na cidade. Nesse contexto, o processo de superexploração do trabalho, aliado à degradação das condições de trabalho provocaram várias lutas, não só advindas dos trabalhadores como da população em geral. O próprio convívio entre trabalhadores migrantes e população local é marcado por desconforto e intolerância, em uma relação onde ambos se reconhecem como membros de formas parciais do gênero humano, não como totalidade. Ao final, se considera que a forma de organização do trabalho reorganiza a vida social, tanto na intimidade de cada indivíduo quanto na comunidade como um todo e que, apesar das resistências capitaneadas pelos trabalhadores, há um predomínio do favorecimento do processo de acumulação do capital.  

 
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Reconfigurações e contrastes no trabalho fabril do Polo de Confecções de Pernambuco (#8706)
Cláudia Freire 1
1 - Universidade Federal de Pernambuco.
Abstract:
TÍTULO: RECONFIGURAÇÕES E CONTRASTES NO TRABALHO FABRIL DO POLO DE CONFECÇÕES DE PERNAMBUCO   GT 17: TRABALHO E REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA     Os efeitos da reestruturação produtiva se apresentam de formas variadas sobre a produção industrial. Este fenômeno, nascido ao final da década de 1950, a partir do modelo japonês de produção enxuta, rapidamente alcançou os países envolvidos na produção industrial por todo o mundo, no decorrer do século XX. Isso inclui países centrais e países periféricos. Dentre os países periféricos, no Brasil, o fenômeno se estende além das áreas consideradas industrializadas, incidindo sobre os espaços interioranos, considerados subdesenvolvidos. Desde o boom do empreendedorismo no Brasil, a partir da década de 1980, similar à indústria de médio e grande porte, as pequenas e microempresas adotaram tais elementos como pilares da produção. Especificamente, na produção de confecções no interior de Pernambuco – O Polo de Confecções do Agreste – os elementos da reestruturação produtiva têm sido adotados pelos empresários que iniciaram seus negócios no início do século XXI. Várias das pequenas fábricas de confecção estão estruturadas com tecnologia moderna, baixa hierarquia, produção dividida em células, fabricação de produtos diferenciados sob demanda, rodízio de atividades, controle informatizado da produção e uma mão de obra multifuncional semianalfabeta. No caso deste território produtivo, o tradicional e o moderno se encontram no mesmo ambiente produtivo, evidenciando as contradições entre a sofisticação do sistema capitalista industrial e os efeitos do subdesenvolvimento, num campo de fortes tradições rurais, comércio de feira e uma grande deficiência de educação básica e de qualificação profissional. A partir de dados coletados com empresários formais, das cidades-núcleo do Polo de Confecções (Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e Toritama), foi possível mapear como esse conjunto de características produtivas, aparentemente discrepantes, se apresentam no cotidiano das fábricas e como incidem sobre seus trabalhadores. A coleta de dados foi realizada para uma pesquisa de doutorado, concluída em 2016. Os dados apresentados aqui, não foram aprofundados na tese em função do seu objetivo, mas merecem ser avaliados, por representarem a via de modernização da produção fabril local e modelo a ser seguido por outros empreendedores. Ocorre que esta via de modernização se apoia em costumes tradicionais de produção, na informalidade e na precariedade do trabalho, resultando em uma “modernização truncada”, que contribui para o desenvolvimento econômico do local, mas compromete o seu desenvolvimento social e sua sustentabilidade. O aprofundamento que se pretende realizar, sobre as configurações produtivas e de trabalho neste local, é fruto da preocupação constante em monitorar e produzir conhecimento sobre os formatos do trabalho em nosso país, tendo em vista refinar o entendimento de suas limitações e redefinições.

 
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Consecuencias de la reestructuración productiva en Ferrocarriles Nacionales de México. Un alcance a los factores psicosociales. (#4336)
Alejandro Espinosa Yáñez 1
1 - Universidad Autónoma Metropolitana.
Abstract:
Los procesos de reestructuración productiva en México han estado signados por la unilateralidad empresarial y/o estatal. Como parte de la globalización económica materializada en México, con una presencia del Estado mínimo en la intervención y capacidad de regulación, en el caso particular de Ferrocarriles Nacionales de México la reestructuración (1995) se tradujo en una disminución radical del contrato colectivo de trabajo, el despido masivo de miles de trabajadores, el fortalecimiento de la burocracia sindical, sin paradojas la disminución real del poder sindical, y el despojo de un recurso estratégico. Explorar las condiciones materiales y subjetivas de los trabajadores ferrocarrileros activos, así como de los ex trabajadores que no han recibido las pensiones y jubilaciones que se habían negociado hace más de veinte años, es un objetivo central a desarrollar, revisando la condición del empleo, las formas de organización de la empresa, su gravitación en el contexto y el estado de las relaciones sociales y laborales entre los trabajadores y de éstos con los cuadros jerárquicos. Palabras clave: reestructuración productiva, condiciones materiales y subjetivas del trabajo, factores psicosociales

 
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O Trabalho Docente na Educação Básica sob o Estado Gestor no Brasil (1995-2015) (#2898)
Fabiane Santana Previtali 1;
Cílson César Fagiani 2
1 - UFU. 2 - UNIUBE.
Abstract:
Entende-se que o processo de reestruturação produtiva está originando um novo tipo de organização do processo produtivo mediante a introdução de tecnologias de informação e práticas gerenciais, cujo discurso assenta-se na cooperação, no envolvimento e na parceria do trabalhador. A educação não está alheia às mudanças que se processam no capitalismo da era da acumulação flexível sob o ideário neoliberal. Com as alterações processadas no mundo do trabalho a partir das novas formas de organização do processo de trabalho, os sistemas tradicionais de educação, fundados na racionalidade taylorista-fordista vão se tornando historicamente superados. Adicionam-se a esse fenômeno as políticas educacionais implementadas pelo Estado Gestor (HOOD, 1995) e a introdução das novas tecnologias informacionais e de comunicação nos processos educacionais que, por sua vez, impõem mudanças profundas no ensino. Assim, as transformações nos processos produtivos, a difusão das novas tecnologias de informação e comunicação e a reforma do Estado formam o tripé indutor das mutações na educação, em particular na formação e do trabalho docente no Brasil. Destaca-se que o Estado Gestor pauta-se, entre outras características, pela implementação de medidas explícitas e quantificadas de desempenho, pelo aumento da competição entre os docentes devido às formas diferenciadas de promoção na carreira e de contratação, pelo controle por resultados, numa explícita aproximação das práticas e estilos de gestão privada na educação pública. Nesse contexto, o docente deixa de ser apenas professor e passa a ser realizador de uma série de outras atividades através da divisão das especialidades, entre elas, de administrador, supervisor, orientador, coordenador, assumindo também as funções de gestor. Assim, o objetivo do artigo é analisar a nova configuração do trabalho docente na educação básica no Brasil, em particular nas cidades de Uberlândia, Uberaba e Ituiutaba no estado de Minas Gerais, no âmbito das reformas educacionais sob o Estado Gestor a partir de 1995, quando teve início no país a reforma da Gestão Pública ou reforma gerencial nos níveis Federal, estadual e municipal. Através da revisão de literatura sobre o tema, análise de documentos e pesquisa empírica, utilizando-se entrevistas com os docentes da educação básica, das cidades mencionadas, discute-se os impactos das mudanças no trabalho docente no que tange as demandas de formação profissional e na organização do trabalho, bem como as implicações para as ações coletivas no período 2013-2015. Os resultados encontrados mostram a perda da autonomia docente sobre o seu processo de trabalho concomitantemente ao aumento do controle burocrático pelos órgãos governamentais em consonância com o cenário nacional.

 
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Trabalho e educação: concepções formativas de docentes do extremo norte do Brasil (#1911)
Sirliane Da Costa Viana 1; Adalberto Carvalho Ribeiro 1
1 - Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).
Abstract:
As propostas de formação profissional para os jovens e adultos vem ganhando formatos cada vez mais aligeirados e compactados. Esta é uma das consequências da acelerada reestruturação produtiva que vem se intensificando desde a década de 1990. Tal realidade traz em seu bojo o perfil de trabalhador flexível e aponta para a escola a responsabilidade de executar propostas curriculares de formação técnica para atender de forma imediata as exigências do mercado de trabalho, o que requer uma preparação densa do professor para este desafio. No entanto, sabe-se que a realidade da formação técnica profissionalizante traz consigo um perfil peculiar de professor. Esta pesquisa apresenta como objetivo a análise da concepção da categoria trabalho advinda dos professores formadores de escolas técnicas profissionalizantes (escola técnica, escola com ensino médio integrado, escola profissionalizante) da rede estadual do Amapá. A problemática central deste estudo é: Quais concepções de trabalho estão presentes na identidade do professor formador de cursos técnico e profissionalizantes do norte do Brasil que atendem as perspectivas neoliberais de formação do trabalhador? Sabe-se que a região norte do Brasil está entre as regiões de menor desenvolvimento deste país. O estado do Amapá traz peculiaridades interessantes por se tratar de um estado brasileiro localizado no extremo norte do país, compor a região amazônica, estar entre os mais baixos índices de formação e produção acadêmica do país, e ter fronteiras com abertura para outros países de realidades completamente diferenciadas. Portanto, compreender quais concepções de trabalho estão presentes na formação de jovens e adultos das salas de aula dos cursos técnico e profissionalizantes pode contribuir para uma análise maior dentro do contexto econômico e social de perfil do trabalhador que se desenha no extremo norte do país. Este trabalho está ancorado nas categorias trabalho, educação, reestruturação produtiva. Os estudos bibliográficos encontram-se concentrados principalmente nas referências de Karl Marx, Gaudêncio Frigotto, Pablo Gentili e Ricardo Antunes. O aporte metodológico trará como proposta a pesquisa qualitativa, terá como lócus de pesquisa as principais escolas estaduais de formação técnica, profissionalizante ou de ensino médio integrado da rede estadual de ensino do Amapá, os instrumentos de coleta de dados serão o formulário para captar o perfil formativo e trajetórias escolares dos professores dessas instituições e o questionário aberto para a análise das concepções de trabalho trazidas por esses professores. Espera-se com este estudo apontar análises relevantes da realidade de preparação do trabalhador do extremo norte do Brasil e com isso provocar reflexões para formulações de políticas públicas peculiares à formação de professores formadores e de propostas formativas adequadas a região amazônica.

 
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As Relações de Trabalho que se colocam à Formação de Professores de Biologia: a Produção Brasileira em Pesquisas das áreas de Educação e de Ensino  (#6389)
Rodrigo Diego de Souza 1; José André Peres Angotti 1
1 - Universidade Federal de Santa Catarina.
Abstract:
Os Estudos sobre o Trabalho, a Reestruturação Produtiva e a potencialização do impacto das políticas neoliberais na educação e na formação dos professores, sinalizam para a relevância das discussões e pesquisas em torno das relações de trabalho que se colocam à educação. Nessa direção, este artigo apresenta dados oriundos da revisão de Literatura que compõe uma pesquisa de doutorado em andamento, e tem por objetivo analisar como aparecem nas produções das pesquisas brasileiras publicadas nas Atas dos Eventos nacionais, Periódicos, Teses e Dissertações das áreas de Educação e de Ensino; a relação ‘Trabalho e Educação’ na formação dos professores de Biologia. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica realizada com uma busca sistemática nas Atas dos seguintes Eventos Nacionais: ENPEC – Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, ENDIPES – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, ENEBIO – Encontro Nacional do Ensino de Biologia e do GT 08 – Formação de Professores e GT 09 – Trabalho e Educação da ANPED – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação. Também foi realizada a busca sistemática nos Periódicos Qualificados de Artigos Científicos da área de Ensino e de Educação; e a busca no Banco de Teses e Dissertações; com o intuito de identificar e analisar as produções sobre a temática. Os resultados desta pesquisa identificaram a ausência significativa de trabalhos sobre o tema, o que aponta para a necessidade de estudos na área que abordem as relações de trabalho que se colocam na formação dos professores de biologia, bem como, as implicações deste debate a formação científica e tecnológica da população brasileira. Estas lacunas identificadas também indicam as tensões que se apresentam nos enfrentamentos teóricos do campo de pesquisa, ou seja, uma produção relativamente escassa sobre: (1) as relações de trabalho e proletarização; (2) e a formação de professores a partir a ontologia e da materialidade e, em contrapartida, o aumento das produções relacionadas: (1) ao trabalho pragmático e técnico do professor de biologia; e (2) sobre o trabalho e a construção identitária dos professores baseada em referenciais que se situam na esfera da agenda pós-moderna e permeada pelo ceticismo epistemológico. Por fim, conclui-se que frente à ausência de pesquisas que problematizem as relações de trabalho que se colocam na formação dos professores num viés ontológico e materialista, há um avanço de produções no campo do ‘ensino’ e da ‘educação’ que reforçam as concepções neoliberais de trabalho, ou seja, reproduzem também uma educação pragmática e utilitarista voltada para uma formação da classe trabalhadora alinhada aos interesses da reestruturação produtiva.

 
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A precarização do trabalho docente no ensino superior público no contexto da reestruturação produtiva (#4133)
Joana Alice Ribeiro De Freitas 1;
Vera Lucia Navarro 1
1 - Universidade de São Paulo.
Abstract:
A pesquisa que aqui se apresenta tem como objetivo compreender as modificações empreendidas na organização do trabalho de docentes do ensino superior público vinculados a programas de pós-graduação, no contexto de intensas modificações advindas da reestruturação produtiva. Compreende-se que esta foi uma das iniciativas de reação à crise estrutural do capital iniciada na década de 1970. No âmbito político-ideológico, a crise tem como uma de suas respostas o neoliberalismo, que apregoa, entre outras iniciativas, a minimização do papel do Estado. Como consequência desse receituário, a reforma do Estado brasileiro rearranjou a atuação deste, principalmente no que diz respeito às demandas ditas sociais – entre elas, saúde, educação, cultura. Não por acaso, a década de 1990 é marcada por baixos índices de investimento do governo federal no ensino superior público. A reestruturação produtiva, por sua vez, surge como resposta na esfera da produção e caracteriza-se pela adoção de novas tecnologias físicas e de gestão, respectivamente, o desenvolvimento e difusão da microeletrônica e a implementação do modelo de gestão toyotista. Especificamente no que concerne ao ensino superior público e à pós-graduação, pode-se dizer que as características do trabalho docente foram modificadas principalmente a partir destas transformações empreendidas a partir da década de 1990. Neste contexto de crise, presencia-se ampla intensificação e sobrecarga de trabalho, além da precarização das condições de trabalho. De acordo com pesquisadores da área, as salas de aulas estão mais cheias; o aumento no número de professores e técnico-administrativos não acompanhou o aumento do número de alunos; a cobrança por produtividade aumentou (principalmente na pós-graduação); e a inserção de tecnologia, principalmente, a internet, tem feito com que trabalhe-se em outros horários como no final de semana, por exemplo, seja respondendo e-mails ou realizando atividades administrativas. O aprofundamento da crise estrutural do capital ao longo dos últimos quarenta anos tem atingido o ensino superior, fazendo com que o panorama, acima delineado, se intensifique atingindo cada vez mais professores nas universidades públicas federais.

 
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Educación Superior y Mercado del Trabajo. Una mirada al Chile reciente y su matriz productiva a partir de la caracterización del subempleo profesional y técnico. (#3750)
Diego Corvalán 1
1 - Universidad de Chile.
Abstract:
Chile posee la mayor masa de profesionales y técnicos de su historia. Dicho indicador seguirá creciendo en los próximos años producto de la masificación (y privatización) de su matrícula terciaria. La pregunta que guía la ponencia es ¿Cómo ha sido la integración de los titulados de la educación superior (profesional y técnica) al mercado del trabajo entre los años 1992 y 2015? En particular, se centrará en un fenómeno emergente: el subempleo profesional y técnico. Se entenderá por “subempleado” a aquella persona que habiendo finalizado la educación superior (ESUP) se desempeñe en labores menos complejas (correlación entre CIUO-08 y CINE-97). Para el análisis de los datos, en primer lugar, se compilará la Encuesta de Caracterización Socioeconómica Nacional (CASEN) entre los años 1992 y 2015. Luego, se construirá el indicador de subempleo, a partir del nivel educacional alcanzado y el tipo de ocupación declarado por el o la encuestada. Para la caracterización del subempleo profesional y técnico se utilizarán variables sociodemográficas (género, cohortes etarias, región y provincia), vinculadas a la ocupación (tipo de contrato, tamaño de la empresa, sector y rama de actividad económica) y económicas (ingresos). De este modo, se pretende indagar en temas como la valorización (o devaluación) de la credencial educativa a lo largo de la serie, la brecha salarial entre subempleados y no subempleados o la dinámica contractual (paso de asalariados a cuenta propia) por parte de los egresados de ESUP, entre otros temas de interés. El análisis de este fenómeno permite abrir tres discusiones relevantes para la sociología chilena y latinoamericana: 1. Discusión sobre la matriz productiva. Poner la lupa sociológica en los nuevos profesionales y técnicos permite, además de analizar sus especificidades y contradicciones, construir un "indicador de resultado" de la ESUP y con ello realizar un análisis crítico del rol e impacto que ha jugado esta en la actual matriz productiva. 2. El discurso meritocrático en tela de juicio. El vínculo entre el logro educacional y la idea el ascenso social, le dan vida al discurso meritocrático. El subempleo profesional y técnico vendría siendo cortocircuito, una situación que rompe con una de las pocas vías mediante las cuales la sociedad chilena y en particular las familias, construyen sus propias "hojas de ruta" hacia el futuro. 3. Emergencia de nuevos sectores sociales ¿condiciones para constitución de clase social?  La masificación de la ESUP ha dinamizado la constitución de nuevos grupos en la estructura social (Goldthorpe). No obstante, estos son heterogénos y difusos, por lo que dificilmente se les puede denominar como clase social. No obstante, la vigencia del conflicto educacional, abierto desde el año 2006 con la "revolución pingüina" y la emergencia de fuerzas políticas vinculadas al movimiento estudiantil, abren la interrogante.

 
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Crise do capital, reestruturação produtiva e a contrarreforma burguesa na gestão de sistemas públicos de ensino no Brasil (#4129)
Bruno De Oliveira Figueiredo 1;
José Dos Santos Souza 2
1 - PPGEduc/UFRRJ. 2 - UFRRJ.
Abstract:
Neste artigo, nos propomos a evidenciar as relações entre a crise do capital, o processo de reestruturação produtiva e a contrarreforma do Estado em âmbito mundial, com desdobramentos na gestão do trabalho educativo em sistemas educacionais brasileiros. Essa evidência tem como objetivo dar suporte teórico à compreensão da reação burguesa em busca da recomposição de sua hegemonia de classe e da necessidade de formação/conformação de um trabalhador de novo tipo. Nesse contexto, as alterações na gestão do trabalho educativo, expressa no desenvolvimento de uma “Nova Gestão Pública”, ocorrem de forma articulada à reconfiguração dos mecanismos de mediação do conflito de classes. Assim, a Educação é tomada como dimensão estratégica para a formação/conformação de um trabalhador docente de novo tipo, adaptado a uma “nova” gestão do trabalho escolar, consentindo ativamente ao gerencialismo, à acumulação flexível, à naturalização da intensificação e da precariedade do trabalho. Nossa investigação possui foco na Educação Básica e tem como objeto de estudo a pedagogia política renovada expressa em ações e formulações de organismos internacionais na disseminação do modelo gerencial, na contrarreforma dos sistemas de ensino brasileiros. Nosso objetivo é explicar a pedagogia política fundamentada no modelo gerencial expressa nas ações governamentais nas esferas federal e estadual no conjunto de reformas dos sistemas públicos de ensino no Brasil. Nossa investigação consiste em uma pesquisa básica, de análise qualitativa, de caráter explicativo, que se insere na categoria de uma pesquisa documental. Com referência empírica relacionada à contrarreforma estatal e as decorrentes alterações na gestão do trabalho educativo, delimitamos nossa investigação aos principais sujeitos políticos coletivos envolvidos no desenvolvimento do modelo gerencial nas últimas três décadas. Estabelecemos assim os seguintes sujeitos coletivos: o Banco Mundial, o Centro Latino-Americano de Administração para o Desenvolvimento (CLAD), a Organização das Nações Unidas para a Educação (UNESCO) e o Ministério da Educação (MEC/Brasil). Como resultados iniciais, evidenciamos que, o avanço do modelo gerencial em âmbito estatal vem produzindo alterações aprofundadas na dinâmica da gestão do trabalho e da produção. Com fundamento na acumulação flexível, a intensificação e precariedade do trabalho docente são impulsionadas pelas diferentes estratégias de controle por resultados e de racionalização do trabalho e de recursos materiais. O avanço do gerencialismo ocorre com a direção dos organismos internacionais, alterando a dinâmica da administração escolar que se aproxima da gestão empresarial. Nesse movimento de privatização da educação pública brasileira, entremeada pelas relações de parcerias público-privada, o processo de ensino-aprendizagem e a melhoria de apreensão de conhecimento perdem centralidade para a formação/conformação de um trabalhador de novo tipo, voltado para uma inserção subalterna no mercado de trabalho.

 
17. Trabajo y Restructuración Productiva |
Friday 08/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
Trabalho e educação no Brasil contemporâneo: o caso do programa Brasil profissionalizado no estado de Alagoas (#4195)
Camila Ferreira Da Silva Lopes 1; Georgia Sobreira Dos Santos Cêa 2
1 - Universidade Nova de Lisboa. 2 - Universidade Federal de Alagoas.
Abstract:
As políticas públicas educativas, quando analisadas com vistas aos seus contextos histórico e social, são capazes de revelar as perspectivas que as sustentam, quer no âmbito estrito do Estado, quer no consenso mais amplo que o próprio Estado acaba por estabelecer com os grupos mais diversos da sociedade. São estas perspectivas, por sua vez, transformadas em pistas significativas para os pesquisadores que se propõem a compreender os porquês que circundam a atuação do Estado nacional no que se refere à educação profissional – bem como a outras tantas áreas. O presente texto insere-se, pois, neste contexto por meio de uma análise de uma política específica voltada para a educação profissional: o Programa Brasil Profissionalizado. Este programa entrou em vigor no quinto ano de gorverno Lula da Silva, via decreto nº 6.302 de 2007, e possui bases no histórico debate e políticas públicas anteriores em torno dos modelos de educação que buscam conciliar as categorias Trabalho e Educação no âmbito do ensino médio brasileiro. Com vistas ao estímulo ao ensino médio integrado à educação profissional, por meio da articulação entre formação geral e educação profissional, o Programa Brasil Profissionalizado ganhou adesão em todo o território nacional e, em função deste largo alcance, constituiu-se um elemento significativo para a compreensão do sentido da atuação do Estado expresso, dentre outros, em suas políticas. O supracitado programa foi tomado à análise com o propósito de mapear e caracterizar a sua materialidade no estado de Alagoas, no período correspondido entre 2007 e 2011. O percurso investigativo de objetivação pode ser sitetizado da seguinte forma: pesquisa baseada na abordagem qualitativa e na combinação entre o método exploratório e a pesquisa explicativa, que contou com revisão de literatura; recolha do material documental; coleta/produção de dados empíricos (com foco na realização de entrevistas com os sujeitos diretamente envolvidos com a gestão do Brasil Profissionalizado em Alagoas); tratamento dos dados documentais e empíricos; e análise dos dados (baseada na técnica de análise de conteúdo, tanto para os documentos, quanto para o corpus de entrevistas). Por fim, pode-se afirmar que a compreensão dos processos de planejamento, implementação e avaliação do Brasil Profissionalizado no estado de Alagoas foi um exercício que permitiu-nos não apenas observar os possíveis impactos deste programa de maneira estrita; mas, sobretudo, possibilitou o lançar de um olhar de caráter relacional para o fenômeno da relação Trabalho-Educação no Brasil contemporâneo e suas disputas historicamente construídas, na tentativa de apreender a essência que dá forma à atuação do Estado no âmbito da educação profissional.

 
17. Trabajo y Restructuración Productiva |
Friday 08/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
Política de educação superior e o mundo do trabalho no cenário neodesenvolvimentista no Brasil (#4535)
Fabiana Maria Costa 1
1 - UFPE.
Abstract:
Este estudo busca realizar uma discussão inicial sobre a intrínseca relação entre trabalho e educação no cenário neodesenvolvimentista brasileiro. Está fundamentado analiticamente na concepção teórica que compreende a sociedade na perspectiva de totalidade, como produção e reprodução de relações sociais historicamente determinadas e das contradições que a permeiam. Parte-se da compreensão de que os processos educacionais sofrem determinações das novas configurações assumidas pelo modo de produção vigente, que inaugura um novo padrão produtivo e tecnológico no qual o ritmo das inovações tem sido acelerado, impondo mudanças significativas nas relações de trabalho, no cenário de acumulação flexível, mas que também guarda relações com o desenvolvimento arcaico do sistema produtivo brasileiro. São exigidas novas formas de envolvimento do trabalhador e de subordinação formal-intelectual do trabalho ao capital, inaugurando um novo modelo de organização da produção, sob a base do toyotismo. Esse processo não significa um rompimento definitivo com a lógica do taylorismo-fordismo. No contexto de hegemonia neoliberal, a educação superior voltou-se ao funcionamento da economia, com restrições à preparação para o trabalho complexo e alargamento da formação direcionada à formação para o trabalho simples. Na atual configuração capitalista, tem sido enfatizada uma imposição pela ampliação quantitativa dos anos de escolaridade básica e uma nova organização curricular voltada ao desenvolvimento de capacidades técnicas e de uma nova sociabilidade dos trabalhadores voltada para a reprodução ampliada do capital e para a obtenção do seu consentimento ativo para as relações de dominação e exploração burguesas contemporâneas. Do ponto de vista do capital, a formação para o trabalho simples serve para o aumento da produtividade do trabalho, bem como para a formação de um homem coletivo adaptado às novas exigências de exploração e dominação capitalistas. Esse conteúdo não sofreu alteração no contexto neodesenvolvimentista, que inaugurou um quadro de ampliação nas políticas sociais no Brasil. A ampliação da educação superior ocorreu marcada pela mercantilização, privatização e pela ênfase em uma formação tecnicista e fragmentada, baseada na ideologia das competências, da empregabilidade e da qualidade total, em detrimento da formação integral do trabalhador. No contexto mais recente, em que a crise macroeconômica, iniciada nos anos 2008, atinge o Brasil de forma contundente, esse tipo de formação torna-se ameaçado pelo ajuste fiscal, que significa uma forte redução do Estado no campo das políticas sociais. A partir dessa reflexão, chega-se às conclusões preliminares de que esse quadro configura-se em um desafio a ser decifrado e inaugura uma fase na “nova pedagogia da hegemonia”, cenário em que o Estado está assumindo um papel pedagógico que impulsiona uma nova cultura cívica, através da renovação da organização da sociedade civil, tendo em vista consolidar a coesão social, o empreendedorismo social e a ação voluntária dos cidadãos.

 
17. Trabajo y Restructuración Productiva |
Friday 08/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
Racionalização dos processos educacionais: impactos no trabalho docente da Educação Básica (#6168)
Dionas Ávila Pompeu 1
1 - Universidade Federal de Santa Maria.
Abstract:
O presente paper objetiva centralmente analisar, nos dias de hoje, o trabalho docente na educação básica. Focaremos nas relações laborais estabelecidas no exercício do ofício de professor escolar. Entendemos que as características singulares dessa profissão estão inseridas num movimento mais amplo no mundo do trabalho, marcado pela reestruturação produtiva vivenciada na Europa, a partir da década de 1970/80, e no Brasil da década de 1990 em diante. Assim, partimos da proposição que, no contexto brasileiro, a reestruturação produtiva teve impacto significativo nas reformas educacionais, ocasionando modificações nos modos de gestão e organização do trabalho na escola, que estimulam uma reestruturação do próprio trabalho pedagógico. O professor passa a centralizar a realização dessas novas tarefas e exigências, tornando-se responsável tanto pelos êxitos quanto, especialmente, pelos insucessos dos processos educativos, sem um debate acerca das condições objetivas para a efetiva realização dessas tarefas. Ademais, importa salientar que a partir das Reformas, uma inovada gramática foi introduzida nos espaços escolares como forma de auxiliar a gerência de mão de obra docente: princípios de eficácia, produtividade e excelência passam a orientar a prática da atividade professoral. O termo competência solidifica a ideia do novo professor: capaz de dar conta de todas essas demandas. Portanto, o professor se vê atuando, cada vez mais, numa lógica de alta exigência, contudo limitado pelos insuficientes recursos públicos para a educação, o que tem como corolário uma precária condição de trabalho. Estas situações desembocam seus efeitos tanto na saúde do profissional como no critério de qualidade de seu trabalho. Assim, a hipótese é de que os processos de reestruturação produtiva nas instituições de ensino, em especial no setor público, têm acarretado em intensificação do trabalho para os professores, ou seja, a categoria tem sido levada a um acúmulo de funções para além da dimensão pedagógica. Concebemos que esse “mais trabalho” desdobra-se, para lançar mão do horizonte conceitual do sociólogo Richard Sennett, em corrosão do caráter de artífice do professor, além de degradar a saúde mental e física desses profissionais. Para a realização deste trabalho, utilizamo-nos enquanto recorte específico os professores que lecionam na esfera pública da educação básica na cidade de Santa Maria/Rio Grande do Sul. Consideramos entrevistas realizadas com professores, bem como pesquisa de base documental referente às orientações educacionais nacionais e estaduais, aos projetos políticos pedagógicos escolares e a legislação vigente pertinente ao tema. Já no tocante à reflexão teórica-metodológica, compreendemos esse universo com base no conhecimento praxiológico, isto é, a dialética bourdieusiana objetividade/subjetividade, posto que os processos de racionalização do trabalho docente tem trazido impactos do ponto de vista das condições de trabalho e das identidades dos sujeitos.