08:00 - 10:00 Presentación de PONENCIAS
17. Trabajo y Restructuración Productiva |
Thursday 07/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
Vidas em trânsito: Mulheres migrantes dos cocais maranhenses nas cidades canavieiras paulistas. (#0192)
Moraes Silva Moraes Moraes11 - UFSCar.
Abstract:
O objetivo deste texto é a análise das configurações sociais e laborais resultantes do processo migratório de milhares de camponeses do estado do Maranhão, situado no nordeste do Brasil, para o trabalho nos canaviais do estado de São Paulo, sob as óticas de gênero e geração. De modo geral, esta migração é caracterizada pela partida dos homens jovens e adultos e pela permanência nos locais de origem das mulheres e crianças. Contudo, nos últimos anos, tem se verificado a presença de muitas mulheres acompanhando maridos, filhos e até mesmo netos. Neste texto, serão utilizados os dados da investigação na cidade de origem dos migrantes –Timbiras, situada no leste do estado do Maranhão – e na cidade de destino, Guariba, na região de Ribeirão Preto, considerada o maior pólo produtor de açúcar é álcool do país. A metodologia empregada baseou-se na história oral, registros imagéticos e a realização de uma ‘oficina de bonecas de pano’ com nove mulheres na cidade de Guariba. As principais conclusões da pesquisa revelam que, embora as mulheres não façam parte da força de trabalho empregada no corte da cana, elas desempenham papéis importantes para assegurar a permanência da família – quer migrando ou não -, para manter os vínculos com os locais de origem e também para redefinir os territórios migratórios sob a ótica feminina, geralmente, interpretado tão-somente vis-à-vis os homens. Tornar visível as mulheres é também verificar o processo de perda da condição camponesa, enquanto quebradoras do coco babaçu nos cocais maranhenses e sua conversão em donas-de-casa nas cidades canavieiras paulistas. Palavras-chave: trbalho; migrações; gênero; camponeses; canaviais.
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Thursday 07/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
Trabalhadoras migrantes nas oficinas de costura em São Paulo (#0274)
Maíra Etzel Costa11 - Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Abstract:
Neste artigo, o fenômeno do trabalho escravo contemporâneo nas oficinas de costura da cidade de São Paulo é analisado à luz da literatura das Redes Globais de Produção. As relações precárias de trabalho flagradas nas confecções paulistanas são tratadas de forma relacional, como parte integrante da lógica capitalista. Para tal, o lugar ocupado pelas trabalhadoras é percebido desde a perspectiva da incorporação adversa. Ao colocar as trabalhadoras no centro da análise, são levados em consideração tanto os elementos que cercam a experiência migrante sob a perspectiva subjetiva - motivação, frustração, autoestima, quantos ob a perspectiva objetiva, da necessidade material. O artigo trata da esfera produtiva e reprodutiva de forma conjunta, uma vez que as possibilidades das mulheres, migrantes e trabalhadoras, são estruturadas não apenas pela demanda do capital, mas também pelas demandas sociais.
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Thursday 07/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
A utilização de força de trabalho migrante como estratégia do capital (#1853)
Juliana Biondi Guanais 11 - Universidade Federal da Integração Latino-americana.
Abstract:
O objetivo desse trabalho é demonstrar a importância para o setor sucroalcooleiro brasileiro da utilização de trabalhadores migrantes, oriundos, sobretudo, das regiões economicamente mais pobres do Brasil. Como demonstraremos, essa preferência por força de trabalho migrante não é exclusividade das usinas brasileiras, já que é uma tendência que está presente há tempos no meio empresarial internacional de forma geral, constituindo-se como uma das mais importantes estratégias do capital. Como deixaremos claro, a despeito de todos os argumentos utilizados pelos representantes do setor sucroalcooleiro que justificam a preferência pelos migrantes pelo fato de os mesmos serem mais “disciplinados”, “produtivos”, “dóceis” e “eficientes” que os não-migrantes; na realidade, o que está em jogo de fato, são os benefícios econômicos que a utilização desta força de trabalho específica traz para os usineiros. Como é sabido, os trabalhadores que buscam emprego temporário no setor sucroalcooleiro brasileiro na grande maioria das vezes se deslocam sozinhos, sem a companhia da família, que permanece em sua região de origem ao longo de todo o período da safra. Pelo fato de estarem desacompanhados, na maior parte dos casos os trabalhadores irão residir nos alojamentos coletivos concedidos pelas usinas para qual vão trabalhar, onde terão a companhia somente de seus colegas de trabalho e de seus superiores. Quando não podem contar com sua família na cidade em que foram trabalhar, além de serem privados de uma parcela considerável de suas relações sociais cotidianas, os trabalhadores também acabam quase completamente subordinados ao controle presente na esfera produtiva. Mas há, ainda, outro importante elemento que tem que ser levado em consideração neste caso. Antes mesmo de serem contratados pelas usinas, os trabalhadores já sabem que ficarão separados de suas famílias e confinados nos alojamentos por um período bastante longo. Sabem, ainda, que ao longo da safra os momentos de lazer e de distração serão raríssimos. Os trabalhadores têm consciência também que o dinheiro da cana tem que ser suficiente para assegurar não somente a sua manutenção ao longo do tempo em que estão trabalhando fora, mas também a de sua família. Nesse sentido, indicamos que o contexto formado pela associação entre “situação de não-família”; confinamento nos alojamentos das usinas; e trabalho temporário; acaba contribuindo para que os trabalhadores invistam mais em sua atividade. Em um contexto como esse, intensificar o ritmo do trabalho, prolongar a jornada, aumentar a quantidade de cana que cortam por dia, tudo isso faz sentido para esses trabalhadores, sobretudo se lembramos que os mesmos recebem por produção. E, ao mesmo tempo em que é interessante para eles, isso também é interessante e vantajoso para as usinas, que não somente se beneficiam, como também criam estratégias para estimular cada vez mais esse maior investimento no trabalho por parte dos cortadores de cana.
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Circulação, mobilidade e superexploração: análise de formas contemporâneas de circulação mercantil da força de trabalho (#5035)
Abstract:
Nos últimos anos, a questão da rotatividade (turnover) foi erigida ao status de problema social no Brasil. Centros de pesquisa e centrais sindicais divulgaram estudos a respeito do tema. Alguns pesquisadores se organizaram para vaticinar a necessidade de uma reforma trabalhista que altere ou retire direitos dos trabalhadores e outros, na contracorrente, para propor a taxação das empresas com índices de rotatividade acima da média ou para defender a pauta da estabilidade no emprego. Recentemente, em meio a medidas governamentais tomadas frente à crise mundial, os trabalhadores que apresentam altíssima circulação, com curta permanência no emprego, perderam benefícios antes assegurados, como o seguro-desemprego. Também foi defendida a diminuição da multa atualmente prevista em casos de demissão motivada pelo patrão, o que facilitaria ainda mais a contratação e a demissão formal dos trabalhadores. Além do Brasil, medidas de promoção da demissibilidade também têm sido adotadas em diversos países e, sob diferentes formas, têm encontrado resistência por parte de movimentos sindicais e demais organizações sociais de trabalhadores. Contudo, por uma série de motivos, é possível observar uma tendência mundial de diminuição do tempo no emprego nas últimas décadas. Levando essas questões em consideração, analiso as formas de circulação mercantil da força de trabalho que vêm sendo adotadas sob um regime de acumulação flexível do capital em todo o mundo e as características que essas formas assumem frente a aspectos estruturais das formações dependentes latino-americanas, propondo alguns instrumentos teórico-metodológicos para a compreensão dos processos de transformação em curso, particularmente no que se refere às morfologias sociais de deslocamento e de reprodução. Neste sentido, em seguida, em uma perspectiva comparada, analiso algumas implicações relacionadas a esses processos, tais como uma maior aproximação entre exército ativo e exército de reserva e, em decorrência disso, uma nova condição imposta à classe trabalhadora.
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A “LEI DOS SACOLEIROS”: MAIS UMA POLÍTICA DE CONTROLE PARA A FRONTEIRA - FOZ DO IGUAÇU (BRA) E CIUDAD DEL ESTE (PY) (#7654)
Jorge Henrique Baptista da Silva 11 - UNIOESTE.
Abstract:
O presente artigo constitui-se sobre uma análise e abordagem a respeito da lei 11.898/2009, que trata sobre o Regime de Tributação Unificado (RTU), popularmente conhecida como a “Lei dos Sacoleiros”. Diante disto, buscou-se uma breve síntese de fatores sócio históricos do contrabando e descaminho no Brasil, bem como o papel destas para desdobramento de leis para o endurecimento de práticas consideradas ilegais e que, inicialmente, viria ao encontro da desburocratização aduaneira e a facilidade de compra e venda destes produtos de origem estrangeira em solo brasileiro. O trabalho possui uma abordagem exploratória com o uso de documentos da Receita Federal e de reportagens jornalísticas.
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Movilidad ocupacional y trabajo por cuenta propia en el contexto de actualización del socialismo cubano (#2113)
Naile Braffo Conde 11 - Centro de Investigaciones Psicológicas y Sociológicas.
Abstract:
Cuba experimenta un proceso de reformas estructurales dentro del modelo socioeconómico socialista. Los cambios en la proyección económica y social del país incluyen entre sus líneas políticas no solo la reducción de gastos sociales, el reordenamiento de servicios sino también la reorganización del mercado de trabajo en búsqueda de nuevas condiciones de desarrollo material que permitan mantener los logros socioculturales y políticos de la Revolución cubana: entre ellos, de la reorganización del empleo en el sector estatal con el proceso de racionalización de plantillas y la estimulación del empleo en otros sectores. La variación en la política de empleo representa cambios en la estructura ocupacional y en los patrones de movilidad social. Ante la necesidad de estimular el empleo en otras esferas de la economía acontece la ampliación del trabajo por cuenta propia. Sin embargo, estudios recientes presentan que los actuales cambios en la política social y como parte de esta en la política de empleo influyen en la reproducción de inequidades, tanto a nivel de grupos como espacios. La ampliación del trabajo por cuenta propia genera la presencia de nuevos actores en el panorama laboral cubano diversificando aún más la multiespacialidad económica así como una nueva redistribución de la estructura ocupacional ante los patrones de movilidad asociados. Los estudios de movilidad social en América Latina experimentan un proceso de rescate en dos direcciones. La primera, refuerza el análisis de la movilidad como sub-campo dentro de la teoría de las desigualdades sociales y la segunda, como evaluación de los efectos de las políticas sociales, en el sentido de distinguir si determinadas políticas crean o no, oportunidades de ascenso social de forma equitativa para todos los estratos sociales. La realidad cubana no es exenta a ninguno de las dos direcciones. Los cambios en la política social particularmente en la esfera laboral, indican la pertinencia de retomar los estudios de movilidad tanto como dimensión de la desigualdad como para distinguir efectos de los cambios. Por ello, la necesidad de retomar los estudios de la movilidad ocupacional como forma particular de la movilidad social en el contexto de la actualización del modelo económico y social cubano.El presente trabajo expone resultados parciales que forman parte de una investigación aun en curso, de tipo cualitativo, que tiene como objetivo general valorar la influencia de los cambios en la política social sobre la equidad a escala local-comunitaria en el contexto de actualización del socialismo cubano. Experiencia que tiene como escenario cuatro comunidades representativas de la diversidad territorial (1 urbano, 1 urbano-periférica, 1 residencial y 1 insalubre) del municipio Marianao en La Habana. Palabras claves: movilidad ocupacional, trabajo por cuenta propia y cambios en la política laboral.
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Migración y Empleo en las ciudades medias del centro de México (#7468)
Angélica Elizabeth Reyna Bernal 1; Jorge Alberto Dettmer González
21 - Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo. 2 - IIS - UNAM.
Abstract:
Los cambios estructurales de la economía han generado cambios y procesos de especialización regionales, favoreciendo las inversiones en sectores específicos. En México, durante la segunda mitad del siglo XX, el modelo económico favoreció al sector secundario y terciario, mientras que el sector primario sufrió un fuerte deterioro. Esto promovió procesos de urbanización que muestran dinámicas desiguales y brechas regionales importantes, generando contextos en que se profundizan las desigualdades sociales. El dinamismo de los mercados de trabajo en el sector secundario y terciario atrajo importantes corrientes migratorias internas desde las áreas rurales hacia las grandes ciudades de México, contribuyendo a una notable concentración poblacional en las zonas metropolitanas, principalmente de la región centro del país, que se incorporaron a los mercados de trabajo emergentes. A partir de la década de 1970, comenzó a darse poco a poco una presencia clara de contracorrientes migratorias desde sus principales áreas metropolitanas, observándose a fin del siglo XX un notable incremento en el número de ciudades medias y pequeñas que han aumentado su atracción migratoria gracias a un cierto dinamismo económico en regiones alternas. Las características de los mercados de trabajo en las ciudades medias de México y en específico de la región centro del país han sido poco estudiadas existiendo lagunas de conocimiento sobre sus características y sobre la forma en que se incorpora la población que ha inmigrando a las ciudades medias de los estados cercanos a las metrópolis del país. En este trabajo se analizan desde una perspectiva sociodemográfica la participación económica de la población en los mercados de trabajo urbano de las ciudades medias de la región centro de México. El análisis destaca la participación en el sector secundario y terciario, así como la condición de género, grupo de edad y condición migratoria de la población ocupada entre el año 2010 y 2015. Metodológicamente, el trabajo se realiza desde una perspectiva socio-demográfica, basada en estimaciones demográficas sobre la participación económica y condición migratoria a partir de los datos del censo de población del 2010 y la encuesta intercensal 2015 del INEGI, así como en información geo-referenciada. El trabajo cuenta con aplicaciones de sistemas de información geográfica (SIGs) para identificar los diferentes contextos (estados, municipios y localidades urbanas). Finalmente se analiza y comenta sobre el papel que han adquirido algunos sectores económicos destacados en las dinámicas de las ciudades medias de la región centro de México.
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Thursday 07/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
A juventude e o dilema da inserção no mercado de trabalho (#0282)
Ana Patrícia Dias Sales 1;
Francisco José Lima Sales Lima
21 - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 2 - Universidade Federal do Ceará.
Abstract:
Este trabalho é resultado de uma pesquisa desenvolvida com jovens beneficiários do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego – PRONATEC. O tema central está vinculado à atual configuração do mercado de trabalho frente aos processos de reestruturação do sistema produtivo vigente e às políticas de qualificação para inserção da população jovem no mercado de trabalho. O estudo objetiva compreender a relação entre o mercado de trabalho, o lugar que o segmento juvenil nele ocupa e a qualificação profissional. A pesquisa foi desenvolvida na Escola Estadual Berilo Wanderley, localizada na cidade do Natal/RN, no período de 2014 e 2015. A investigação se vale de um estudo de caso e se utiliza de dados primários, oriundos da aplicação de entrevistas semiestruturadas, bem como de fontes secundárias, como os relatórios fornecidos pela escola acima referida. Os dados levantados, após tabulados e analisados, indicam que os cursos ofertados legitimam a desqualificação da formação ao se caracterizarem pela simplificação do conhecimento. Além disso, os beneficiários pouco conseguem se inserir no mercado de trabalho por meio do curso adquirido e, quando isso acontece, ou ocupam postos de trabalhos precarizados ou atuam na informalidade. Logo, no que tange à qualidade do emprego, os sujeitos da pesquisa que conseguiram se inserir no mercado de trabalho da cidade do Natal, assumem ocupações como: garçon, ajudante de eletricista e vendedor. Essa população jovem, fazendo alusão a Castel (2001), foi, sobretudo, a mais atingida pelas mudanças processadas na sociedade desde os anos de 1970, que refletiram no emprego. Ela, além da pouca ou nenhuma experiência profissional, tende a vagar entre estágios, pequenos serviços e alternativas de sobrevivência no estado do Rio Grande do Norte. Com efeito, a população juvenil mergulha em uma crise de incerteza, instabilidade e vulnerabilidade. Ela oscila entre tempos de trabalho de curta duração e tempos de desemprego. Situação essa que, resgardadas as devidas diferenças entre um momento histórico e outro, entra em consonância com a existência da superpopulação relativa, que Marx (2006) classificou de população flutuante, latente e de estagnada. Assim, os Cursos de Formação Inicial e Continuada, ao menos na realidade analisada, estão distantes de colocar em maior percentual o segmento juvenil no mercado de trabalho da cidade do Natal, revelando a complexidade da questão que, entre outros fatores, requer um melhor entendimento da realidade do mercado de trabalho local, caracterizada pela inexistência de um parque industrial tradicional, mas com forte potencial econômico no setor de serviços, em particular no turismo. Com efeito, os cursos ofertados não possuem alinhamento com a demanda de um estado flagelado da região nordeste, como o Rio Grande do Norte (RN), onde os índices de pobreza e a taxa de desemprego figuram entre os piores do país.
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Thursday 07/12 | 08:00 - 10:00 | Ciencias Sociales | F2 |
Jovens brasileiros e trabalho no século XXI (#3386)
Angela Borges 11 - UCSAL.
Abstract:
Jovens brasileiros e trabalho no século XXI As transformações do capitalismo nas últimas décadas reconfiguraram o perfil dos postos de trabalho e da força de trabalho necessária, as formas de contratação e uso da força de trabalho e o grau de proteção social dos vínculos empregatícios. Conduzidas sob a hegemonia do capital financeiro e do ideário neoliberal essas mudanças aumentaram exponencialmente a desigualdade de poder entre o trabalho e o capital, tornando o mercado de trabalho mais desregulado e concorrencial. Nesse contexto adverso, as gerações que chegaram à idade de trabalhar têm encontrado crescentes barreiras à inserção a qual, quando alcançada, para a maioria é insegura e precária, inclusive entre aqueles com escolaridade mais elevada. Insegurança, precariedade e desproteção no trabalho vêm se constituindo assim no principal mecanismo para a subordinação dos jovens às novas regras impostas pelo capital, resultando em um fosso geracional que tornou o acesso a direitos, proteção social e possibilidades de carreira algo inacessível e raramente por elas vivenciados. Trata-se de um fenômeno global, presente inclusive nos países centrais. No caso brasileiro, ele se explicitou dramaticamente no contexto do ajuste neoliberal dos durante os anos 90 (o qual coincidiu com o fenômeno demográfico da “onda jovem”), na explosão das taxas de desemprego juvenil, no aumento da emigração e na generalização da precariedade. Da perspectiva dos neoliberais, parte importante do problema estaria nos próprios jovens, portadores de déficits de escolaridade que os tornariam inadaptados as novas demandas dos postos de trabalho existentes. A solução seria, naturalmente, a elevação do número médio de anos de estudo, ampliando os percentuais de trabalhadores com ensino médio completo e superior completo. Partindo de outra perspectiva, este estudo analisa a inserção dos jovens do mercado de trabalho nas duas conjunturas dos anos 2000: a) o período de expansão (2003-2014), quando ocorreu uma considerável ampliação das oportunidades de inserção no mercado de trabalho através de um emprego formal, acompanhada da elevação dos níveis de escolaridade das novas gerações, observando em que medida tais fatores foram capazes de alterar, significativamente, as tendências de precarização da força de trabalho juvenil. em curso e, b) o período que se inicia em 2015, com a rápida e profunda interrupção deste processo de expansão e de reestruturação do mercado de trabalho brasileiro. A análise dos dois períodos observa a evolução da ocupação, do desemprego, das formas de inserção e dos rendimentos segundo a escolaridade, buscando avaliar que medida a variável escolaridade foi relevante no período de expansão e se está sendo relevante na determinação das trajetórias dos trabalhadores na atual crise. Os dados trabalhados são PNAD anual e da PNAD Contínua para o Brasil.
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Determinantes da inserção e dos rendimentos dos jovens no mercado de trabalho brasileiro em estados selecionados (#1090)
Fabiano Luiz Alves Barros 1; Julyana Covre
11 - Universidade Federal de Viçosa.
Abstract:
O objetivo deste artigo é analisar os determinantes da inserção e dos rendimentos dos jovens entre 16 a 25 anos no mercado de trabalho de dez Estados brasileiros. O primeiro agrupa os cinco estados com maiores taxas de crescimento em cada região brasileira, a saber: Espírito Santo, Maranhão, Rondônia, Santa Catarina e Mato Grosso. O segundo agrupa os cinco estados com menores taxas de crescimento em cada região brasileira, a saber: Amazonas, Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás. Os dados utilizados foram extraídos da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) de 2014. Por meio do método de seleção amostral, encontrou-se que ser homem, branco, e a pessoa de referência do domicílio contribuem para melhores rendimentos.
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Jovens e precários no Call Center: comparando Brasil e Portugal. (#7696)
Sirlei Oliveira
1;
Leonardo Ostronoff 11 - Escola do DIEESE.
Abstract:
Com a passagem do capitalismo industrial para o financeiro, o modelo taylorista/fordista deixou de ser hegemônico, desenvolvendo-se a acumulação flexível. A rotina deu lugar a instabilidade, a repetição ao criativo. A expansão das formas de comunicação proporcionaram a formação de mercados e empresas transnacionais. Novas qualificações e subsetores econômicos surgiram. Outras maneiras de gerir a força de trabalho foram desenvolvidas com o discurso de melhores condições de trabalho. Porém, o que se verificou foi o aumento da intensidade do trabalho e adoecimento dos trabalhadores. Novas qualificações e subsetores econômicos desenvolveram-se, um deles foi o call center. O objetivo do artigo proposto é realizar uma comparação entre o caso brasileiro e o português no tocante a este novo subsetor de trabalho, justificado pelo aumento dele em ambos países nos últimos anos, sobretudo no segmento da juventude. O setor em questão representa uma das formas mais precarizadas de trabalho atualmente, preservando elementos do taylorismo/fordismo. Portanto, apesar da mudança de regime para acumulação flexível, ocorreram nas regiões periféricas do capitalismo sobrevivências do antigo regime de acumulação. No Brasil, ocorre que muitos jovens entram no call center com a ideia de que essa atividade seja temporária, um meio para pagar seus estudos universitários que, quando terminados, será substituída pela carreira definitiva. Na prática, o que se verifica é que tal processo não tem ocorrido. Muitos jovens trabalhadores do Call Center conseguem seus diplomas em instituições de ensino superior, porém, permanecem ou retornam ao segmento, muitas vezes em condições inferiores a que estavam antes. Em Portugal, com a forte crise econômica dos últimos anos, os empregos com contratos precários ou os chamados “recibos verdes” tornaram-se um caminho quase irreversível para os jovens. O call center é uma das principais atividades nesse processo, são mais de 50 mil trabalhadores. A relevância hoje é tão grande que em abril de 2014, fundou-se o Sindicato Nacional dos trabalhadores em call center, com sede em Lisboa. Uma diferença importante entre os dois países é que no Brasil já existe o reconhecimento do trabalho no call center como ocupação de desgaste rápido, conquista que em Portugal ainda estão a buscar.Dessa maneira, o artigo proposto está baseado em uma comparação entre Brasil e Portugal no tocante às relações de trabalho e ações sindicais no call center, um segmento de trabalho que surgiu no capitalismo financeiro e que apresenta características também do taylorismo/fordismo e tem apresentado um crescimento expressivo do número de postos de trabalho nas últimas décadas, somando mais de 1,5 milhões de trabalhadores no Brasil, o que justifica a importância de aprofundar os estudos sobre essa categoria profissional.
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Independência conquistada pela juventude rural amazônica (Brasil) por meio da efetivação de projetos produtivos (#3367)
Rafael Camoleze Maltarolo 1; Clodoaldo De Oliveira Freitas
1; Ailton Nunes Santos
1; Eliane Silva Leite
11 - UNIR.
Abstract:
Quando falamos em juventude rural amazônica tratamos de uma categoria social diversa construída a partir das experiências de trabalho, sociabilidade, troca cultural e interação socioambiental. A juventude rural vem se afirmando por meio de um amplo espectro de identidades, caracterizado pelas identidades como jovem camponês, agricultor familiar, dentre outros. Esta juventude rural é a responsável pela continuidade da população no meio rural. Dessa forma, apesar de estatísticas apresentarem a agricultura familiar como fundamental para o crescimento de algumas regiões, estas não explicam os processos de êxodo rural, principalmente da juventude. Na expectativa da realização pessoal e obter sucesso financeira, os jovens rurais na sua maioria acabam sendo quase que forçados a abandonar o meio rural, por não visualizar alternativas de trabalho e nem perspectiva de profissionalização no campo. Tal que, desloca-se em busca de empregos nos grandes centros urbanos, que constantemente não têm mercado de trabalho suficiente e nem salários dignos para oferecê-los. Consciente da importância da agricultura familiar na construção de uma nova estrutura social para o pertencimento desta juventude faz-se necessário, o apoio a estes jovens, para o desenvolvimento desta agricultura, por meio de políticas públicas, e até mesmo da família. O presente trabalho teve como objetivo acompanhar a efetivação dos projetos produtivos, ou projeto de futuro dos jovens participantes do projeto “Sementes Agroecológicas: Transformação cidadã da juventude do campo na Amazônia”, projeto este idealizado e desenvolvido pelos professores da Universidade Federal de Rondônia, Brasil, em parceria com a Federação de Trabalhadores na Agricultura de Rondônia - FETAGRO. Os projetos produtivos dos jovens nasceram de uma meta do projeto implantado pela universidade, no intuito que estes projetos tragam aos jovens renda, garantia de soberania alimentar, sustentabilidade do meio ambiente, protagonismo juvenil, e possa permitir a permanência deles no meio rural de modo a fortalecer a agricultura familiar. Os eixos temáticos trabalhados nos encontros de formação do projeto Sementes Agroecológicas possibilitou norteá-los para ações de implantação e execução do projeto produtivo, cujas bases estão fundamentadas na discussão permanente da sucessão na agricultura familiar, na gestão das Unidades de Produção e vida familiar, e na geração de renda. Dentre os projetos produtivos escolhidos e iniciados pelos participantes para serem implantados destacam: cultivo de café clonal, mandioca, banana, limão, abacaxi, acerola, hortaliças, frutíferas, plantas ornamentais; produção de leite e galinhas. Em meio a tantos projetos executados os resultados alcançados estão sendo satisfatórios por proporcionar aos jovens direcionamento para a autonomia financeira com o acesso aos mercados institucionais com os programas do governo federal como Programa de Aquisição de Alimentos - PAA e Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE, além de acesso a outros mercados, promovendo assim o desenvolvimento rural em Rondônia, Brasil e o fortalecimento da agricultura familiar.
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Juventudes, empreendedorismo e capital social: entre disputas e negociações na construção de hegemonia na cidade do Rio de Janeiro (#4543)
Lídice Guerrieiro 11 - Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Abstract:
A investigação analisa teoricamente discursos e processos para compreender dinâmicas forjadas no campo envolvendo políticas públicas, juventudes, sociedade civil, democracia e mercado. A cultura do empreendedorismo e o empoderamento de organizações locais vêm se efetivando na América Latina, assim como, pressões por ações que democratizem o fazer político, sob forte orientação para e pelo mercado, com crescente participação do setor privado na definição das políticas públicas voltadas para a formação da força de trabalho jovem. Os conceitos selecionados pela pesquisa são: território, empoderamento e protagonismo. Seus usos são significativos para a análise da constituição de um repertório comum. Informalização do mercado de trabalho e reestruturação produtiva provocam um significativo deslocamento do processo de formação de capital humano das esferas formais – escolas – para espaços não formais - os projetos sociais. Tal formação associada às novas formas de produção e circulação de mercadorias – terceirização, produção de serviços e capitais desterritorializados – não pode prescindir de um conjunto de saberes produzidos e disseminados sob o signo de uma nova gramática do social. O capital social tem seu uso atualizado a partir das ideias de Robert Putnam e Francis Fukuyama. Para a Teoria do Capital Social, as respostas para a questão social envolvem uma mudança comportamental na busca de cooperação, confiança e ‘espírito cívico’. Defendem a multiplicação dos valores de solidariedade, de sentimentos de prosperidade e coesão social, da cultura cívica, visando à ampliação das oportunidades de gerar capital, integrando assim o capital financeiro e material ao capital social, isso torna a dimensão econômica mais humana. A produção de capital social numa perspectiva liberal possibilita, além de produzir empoderamento e protagonismo, “educar” os conflitos criando uma rede de atores e relações capazes de forjar consensos em torno de demandas diante das questões sociais fortemente atravessadas pelos interesses do mercado e produção de coesão social. A proposta metodológica apresenta os resultados de uma análise documental dos projetos e ações buscando mapear propostas, documentos e autores de referência, premissas teóricas, categorias e inseri-los no debate teórico. Apresentaremos densa análise qualitativa dos conceitos de território, protagonismo e empoderamento presente em projetos, relatórios, publicações e conteúdo dos sites de organizações sociais.Nesse circuito institutos e organizações atuam como think tanks ideológicos difundindo valores e produzindo conhecimentos no campo econômico, social e cultural. A hegemonia da pequena política, para Carlos Nelson Coutinho, é fundamental para a ordem neoliberal. Através daquela, que a coerção dá lugar ao consenso para a neutralização dos conflitos. A partir de Antonio Gramsci e o conceito de Estado educador, realizo a leitura teórica dos desdobramentos das formas e lógicas de atuação do arranjo entre organizações, mercado e Estado, no delineamento da face educadora dos conflitos urbanos envolvendo juventudes em favelas na cidade do Rio de Janeiro.